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Inquietude - (17ª Reflexão )

Tenho direito de estar neste mundo, ele me pertence. Como conquistei outrora esta proposta faz-se mister comportar-me de acordo com meu aprendizado. Meus escritos indagando-me da minha condição sugere-me não esquecer o passado, tirar dele boas lições. Servir-me no presente pensando apenas no lucro das boas realizações que fiz a outrem. Dignar-me-ei em viver e principalmente de estar junto daqueles que são minha prova. Prometi calar-me e deixar que o tempo se encarregue de tudo.

E por falar em tempo ele é impetuoso mesmo. Ontem fui ao shopping andar um pouco, no meu passeio vi uma exposição de fotos antigas tiradas em várias partes do país onde o fotógrafo mostra as pessoas em seu cotidiano. Fotos em preto e branco datadas de 1940 a 1945, super nítidas. Observando cada detalhes dos rostos daquelas pessoas, o que faziam? Uns dançavam, outros falavam, outros namoravam; mostrava também o dia-dia-dia de alguns e o trabalho de outros. Como o ser humano muda! Nossas  roupas evoluíram muito comparadas àquelas usadas outrora, o corte do cabelo; a fisionomia,  achei um tanto atraente e sem malícia. Como mudamos! . Interessei-me por uma foto e um grupo de crianças umas cinqüenta mais ou menos e na faixa etária de 8 a 12 anos. Que crianças lindas. Todas bem penteadas olhinhos abertos e cristalinos expressando um ar de uma época dourada mas problemática devido a guerra. Fiquei a olhar aquela fotografia por uns quarenta minutos seguidos olhando todas as crianças. Peguei um pedaço de papel e fiz umas contas colocando-me 58 anos à frente o que daria no ano de 2057. Eu, então estarei com 95 anos. Os meninos da foto hoje devem estarem na faixa de 64 a 70 anos  Uns avós outros somente pais, uns vivos outros mortos, uns bem sucedidos outros não. Fiz uma síntese da minha vida partindo da minha infância até a idade adulta colocando-me naquela foto com os meninos. Cheguei mesmo a me procurar lá ou mesmo encontrar algum garoto que se identificasse comigo. Aqueles garotos se se virem hoje o que vão pensar, chorarão, sentirão saudades? Como eu já pertencia à foto eu me emocionei! E me perguntei? – O que fizeste na vida, Paulo? Arrependeu-se de ter feito algo? Ou, arrependeu-se de não ter feito? E as suas conquistas na vida, louva-se delas? Ou apenas passou como um cometa sem significar nada a não ser uma rápida passagem? Construiu algo sólido para sua geração; material,  enquanto Ser humano e harmonioso para o progresso espiritual ou foi egoísta  a ponto de ser cometa que passa por um instante e se enfurna no infinito do espaço? O tempo se encarregou de talhar em mim uma personalidade e agora aos 95 anos, se fiz ou não, prestarei conta a Deus. Esta é minha reflexão de um passado (dos meninos) para um presente (que sou eu).

 
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