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Sonhos

UM MUNDO DE CRISTAL

Quando descendo de um penhasco - já do outro lado - vejo-me com uma pessoa que talvez possa conhecer. Estou numa casa. Passam se coisas ali que não consigo me lembrar, mas, sei que aconteceram. Olho para baixo, no fundo do penhasco, vejo um cavalo, que parece estar comendo pedaços de rocha; ele, o cavalo, pressentiu alguma coisa, olha para cima e sai correndo, o penhasco começa a desmoronar, fico aturdido com isso mas me vejo no meio da avalanche, acontece o surpreendente: no meio de tanta rocha começa a nascer, a brotar, a minar da terra milhares de cristais, cristais tão lindos e lapidados que começo mordê-los, olhá-los, admirá-los. Aconteceu mais coisas, mas não me lembro. (05 Ago 91).

TEMPLO DA ESPERANÇA

Vejo muitas pessoas. Estou num lugar onde tenho a impressão de  já ter sonhado antes antes. Não é uma Igreja - lembrou-me um templo. Tentei fazer uma relação com o Vale do Amanhecer, pessoas vestidas com roupas coloridas. Fico no fundo do lugar me reservando, observando as pessoas na frente. Começa a se formar lá no alto à minha direita e a surgir também, moças bonitas vestidas com um vestido longo, talvez azul bem clarinho, estavam de braços abertos, moças intercaladas de três em três, elas começaram a descer o monte, vinham rapidamente, uma delas, muito bonita levantou o braço esquerdo fez um gesto com a mão, um gesto côncavo apontando em minha direção, não estou bem certo, mas que ela disse: " ele", e continuou vindo rapidamente. A distância que nos separava era grande, ela descendo a colina e eu sentado num banco no fim do templo foi muito rápido. Ela passou dentro de um riacho, vi nitidamente, e chegou a mim. Veio sorrindo - era linda - tomou minha mão, estava sentado a moça me disse que ia dar-me um passe. Pôs a mão  esquerda sobre minha cabeça e começou a dizer palavras ininteligíveis; sim, antes disso ela disse-me para tocar ou conversar com os que estavam ao meu lado, vi um menino, o toquei com o dedo ou a mão não me lembro, mas o toquei, e disse, talvez assim: "Vá com Deus, Deus o proteja", e mais algumas palavras, somente coisas boas mesmo, confortantes, bonitas. Foi quando essa moça sorrindo disse para a multidão: "Ele fez isso, agora é a vez dele, não é ?", e a multidão juntas disseram, sim é, foi daí que começou a dar-me o passe, porque foi assim que entendi. Fui sentindo meu corpo torpe uma leveza no ser, uma sensação super confortante. Fui me aprofundando num sono tranqüilo, quis me dominar, mas fui dominado pelas suas palavras, e dormi no sonho, mas acordei do sono. Foi lindo. (06 Ago 91)

PALAVRAS DE LIBERDADE

Não lembro como começou. Eu era um pintor, não um renomado pintor. Pintava um quadro, onde uma pessoa me dizia como fazer. Trabalhava o pincel convicto do que estava fazendo, era um quadro que tinha a ver com a consciência negra, lembrei de Nelson Mandela, mas logo em seguida via me com um casal e um menino que comiam um sanduíche, eles me ofereciam com tanta gíria nas palavras, eu não aceitei, mais tarde mostrei meu quadro ao casal, o homem o viu e com muita gíria decifrava a pintura, sim me lembro, no quadro estampava a figura de um menino negro, e o homem da gíria disse, talvez assim: " Coitado do soueto, ou melhor; assim, eu acho: souetinho", como se tivesse pena da gravura, me comovi. Depois vi, talvez o mar, ou um grande rio não sei ao certo. (07 Ago 91).

OUTRA DIMENSÃO

Passou-me nesta noite pertencer a outra dimensão. É tudo tão diferente, as sensações vividas do outro lado são antípodas a este mundo mas com grande diversidade de movimentos. A calmaria proposta lá, acredito, está diretamente ligada a vontade de ter liberdade. Como Fui parar lá? Túneis, labirintos tudo envolvido por uma substância gelatinosa, ou talvez o vácuo. Pensamentos fluentes e organizados. Muitos espíritos de um lado a outro; e surgiam mais, e a grande plêiade não precisava vestimentas pois era luz, mas a usavam uma vez que aos meus olhos eu as via como tal. Ocorreu-me naquele momento estar ligado naquele mundo com possibilidade de ascender a outro dado ao meu completo entendimento de tudo que passei. É maravilhoso poder gozar de certos privilégios como esse, quero dizer, não havia sofrimento mesmo sabendo que o mundo onde a diferenciação existe em tudo que se faz era apenas minha escola, e também nem lembrança da minha passagem era fato. O que é dor? Quando se cede à corda no rio da vida isto e abstrato. 27/10/96

Ele estava tirando as pedras de um buraco, muitas pedras. Eu estava ao lado observando seu trabalho. Era tarde, ele tinha toda a paciência do mundo, uma a uma ele as tirava. Ao término de seu trabalho ele ajoelhou e orou a Deus, acho que agradecendo. E eu senti muita emoção e chorei copiosamente. Ele me olhava e sorria fraternalmente. Eu não queria mais voltar a vida.

 
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