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Sua Casa

Ele pára e olha em direções opostas. Age como se temesse algo. Pelo seu semblante ele sabe muito bem o que quer e não desiste. Quer se aproximar mas, de súbito, resolve apenas recostar numa árvore e se deleitar com a visão gáudia de quem possa estar ali.
O temor esvai, afinal, quem iria olhar para alguém sem camisa? Provavelmente algum  doidivana debaixo de um sol escaldante querendo aparecer. Mas ele procura algo! Por minutos a fio ele vislumbra mentalmente todo o processo que lhe foi passado para descerrar aquela moradia. E a encontra!
Talvez numa avenida onde não houvesse muito movimento. Onde eu pudesse cultivar minhas flores vermelhas, roxas, lilás ou mesmo amarelas.  Sim as amarelas! A esperança e a fartura o afeto e o afago. Essas são as mais lindas! Não poderia faltar muito verde: um flamboyant ou  talvez um pé de Pau-Brasil. Uma casa branca cor da paz. Infelizmente deveria ser bem fechada com um portão mas que por este pudesse o transeunte notar que nessa casa há vida.
- Cidade grande esse o grande mal da atualidade – gosto mais do interior -  não se pode ter privacidade e nesse meu portão colocaria uma placa para não estacionar se bem que muitos não respeitam mas eu colocaria. Não sou um sujeito cabalístico mas acho que o número 1076 traz algo de bom. O 10 por ser o começo das dezenas e o 76 ano que tinha 15 anos uma fase muito mágica. Pronto! Este será o numero da minha casa. Uma casa linda! Mas não quero prever o que eu colocaria dentro dela a não ser muito amor, paz e harmonia. Agora de uma coisa fique certo: quero um veículo e que este seja bem grande para toda a família e quero que seja azul escuro (talvez) pois é mais fácil de limpar. Enfim esta casa tem que estar num lugar onde possa, devido às facilidades, ter banco, praça, mercado... Eu a encontrei.
Depois sorriu contente fez algumas micagens para si e sai em desabalada carreira em direção ao sol para  juntar-se aos caminheiros mais arrazoadas que ele.

Nesses anos de minha vida ainda vivo de maneira a não fazer velar o semblante do meu próximo, como aprendiz que sou na jornada terrena falho em muitas coisas, noutras, procuro tirar por menos e digo: mais um aprendizado. Às vezes queixo-me por ser assim tão introspectivo mas depois me vem à mente que este fato é decorrente de faltas passadas e é melhor falar menos e ouvir mais. O que tudo isso tem a ver comigo? Bem, isto é um pouco do que penso da vida e da maneira de ser. Sou, como pode notar, espírita e minha visão é abrangente. Sou observador e cada palavra a mim dita eu a trato de cuidar para que a mesma volte ao interlocutor de maneira sóbria. Procuro ser sincero sem ser indiscreto; ser leal sem ser intransigente; ser cortez sem ser pedante; ser fiel sem ser desrespeitoso com a individualidade do meu próximo. O que ele pensa para mim tem fundamento até que me provem o contrário. Sua palavra vale ouro! Contudo, sabedor das minhas ditas falhas, se sou ferido na minha dignidade, procuro manter-me à distância e deixar que suas proposições corram com o rio da vida e ecoem nos ouvidos daqueles que coadunam com seu princípio.

Quando se está no secreto do seu quarto e se olha para fora da janela e percebe que já é noite e ninguém lhe ouve ou pensa-se que ninguém o vê é chegada a hora de evocar sua alma e desvelar o desejo incontido na sua personalidade e escrever. Quando nos virmos frente a frente a palavra às vezes pode faltar mas com certeza estarei escrevendo seu perfil em uma linha ou varias linhas das minhas reflexões: pela minha observação.

 
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