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O motociclismo e a solidariedade

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Existe uma forte relação de responsabilidade entre os motociclistas, pessoas unidas por interesses comuns, de maneira que cada um do grupo se sente na obrigação moral de apoiar os outros.

Porque quando viajamos de automóvel em uma rodovia e deparamos com outro carro parado no acostamento com o capô aberto, nosso subconsciente tira o pé do acelerador, entretanto aos poucos voltamos à velocidade normal?

Rodando moto, a solidariedade aflui instantaneamente, instintivamente. No mínimo uma pequena parada e a tradicional pergunta: “Precisa de alguma coisa, companheiro?”


A verdadeira solidariedade começa onde não se espera nada em troca.

Uma corrente rompida, falta de gasolina, um pneu vazio... um dia a gente descobre que verdadeiras amizades adquiridas no motociclismo continuam a crescer mesmo a longas distâncias.

A solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana e faz parte do dia-a-dia de nós motociclistas.

Pessoalmente já fui socorrido e socorri inúmeros motociclistas em apuro, agora pergunto: - Porque nós motociclistas temos naturalmente esse instinto de solidariedade? Já pensei muito sobre isso e percebi ao longo de meus mais de 50 anos no motociclismo que ajudei e fui ajudado diversas vezes, de coração, com boa vontade, com prazer, com sorriso estampado no rosto.

Solidariedade, amigos, não se agradece, comemora-se!

Outro aspecto da solidariedade dos motociclistas reflete-se nos encontros de motos, onde além da confraternização entre amigos e conhecidos, música e bebidas, vê-se a doação de alimentos, roupas e agasalhos às pessoas ou grupos carentes locais. Eu pessoalmente acredito que possa conseguir qualquer coisa que queira na vida, se eu ajudar o suficiente outras pessoas a conseguirem o que elas querem. Assim funciona no motociclismo.

Quantas vezes nas longas viagens cruzamos com motociclistas de outros países, que nos acenam, buzinam ou piscam faróis? Esse tipo de cortesia e solidariedade é nato no motociclismo, e não me pergunte de onde vem.

Viajar de moto é fazer uma jornada para dentro de si mesmo
, como fazer 500 ou 1000 km numa estrada sem estarmos bem dentro de nós? Um bom exemplo de solidariedade no motociclismo vimos na TV essa semana na região serrana do Rio de Janeiro devastada pela enxurrada. Os motociclistas de trilhas com suas XL e Tornado transportando desabrigados, levando comida e água aos necessitados pelo meio da lama. Eu acho que o mundo é de quem se atreve de quem se mexe, de quem ajuda de quem viaja de moto...

Lembre-se que se algum dia você precisar de ajuda, você encontrará uma mão no final do seu braço. À medida que você envelhecer, como eu, você descobrirá que tem duas mãos - uma para ajudar a si mesmo, e outra pra ajudar aos outros.

Em uma longa viagem, por estradas desconhecidas, não tenho tanta necessidade da ajuda dos motociclistas quanto da certeza da sua ajuda. Pense nisso.

Autor: Otavio Araujo -  “Gugu” - 69 anos, motociclista há 53 anos, residente em Taubaté /SP/Brasil. Administrador de Empresas e empresário da construção civil, roda atualmente em uma Honda Varadero V 1.000.

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