Get Adobe Flash player

Começo de tudo

O primeiro veículo sobre duas rodas que andei foi um lambretão 64 de um amigo. Nessa época, meados de 76. ah!!! Fiquei doido Aquilo era muito legal. Até então nada parecido havia passado pela minha cabeça.Andava bem de bicicleta tinha uma verde que era minha paixão, presente dos meus 15 anos, com essa verdinha cheguei a ganhar um premio numa gincana do colégio: uma medalha (barata) e uma foto estampada na Diretoria da Escola por 30 dias.Esta lambreta foi protagonista das nossas incursões pelo serrado a procura de trabalho, diga-se passagem vim da roça. Trabalhava na capina de arroz, milho, feijão. Como bom Goiano também atuava no plantio de tomate.


E lá íamos pelas estradas vicinais poeirentas da pequena cidade de Hidrolândia-GO revezando ao guidon da valente lambreta que queimava mais óleo do que gasolina.E assim passei a sonhar mais alto, queria comprar uma lambreta a todo custo! O tempo passou até que andei numa Xispa, lembra-se dela? Cara, aquilo que era fora-de-estrada. Fiz uma analogia: Lambreta ou Xispa eis a questão. A Lambreta era muito certinha uma verdadeira Street uma senhora; a Xispa uma Trail e para nós que andávamos sempre pela terra não tinham inventado coisa. Não comprei nem uma coisa nem outra pois aquela vida de roça para mim não era bom negócio. Foi então que fui para Goiânia onde pude vislumbrar novas possantes. Alistei-me Aeronáutica e enquanto esperava ser chamado (um sonho) ganhei por alguns dias de um primo o privilegio de estar com uma cinquentinha (yamaha 50 cc).Rápida, esperta, leve e fácil de pilotar. Ganhei ares de liberdade e a partir de então meu compromisso era que queria ter uma cinquentinha. Na década de 80 ainda servindo a aeronáutica com meu primeiro salário comprei uma CB 125 74 (que me deu uma tremenda dor de cabeça).

Batedor da Aeronáutica (1980)

Primeira moto yamaha cinquentinha

Morava em Brasília, sendo eu de Goiânia, nos finais de semana deixava o DF e ia para casa Uns 200 Km mais ou menos. Acredite para rodar esta distância cheguei a gastar em uma das viagens 9 horas, quase que infarto! Poxa, uma 125 como era possível ser tão lenta. Moto boa, importada, mas minha inocência era veemente. Não entendia muito de mecânica e muito menos o por quê a moto não andava. Levei-a a um mecânico de quase confiança numa concessionária Honda em Goiânia. Diagnóstico feito: Ela precisava de uma retífica. Nome novo para mim. Procurei na literatura o que era isso em se tratando de moto. Fiquei sabido no assunto! Pronto, autorizei a fazer a tal retífica e me foi explicado que o motor estava cansado e que iria ficar novo em folha.

Gastei um dinheirão entre retífica e trocas de peças.Pelo que me constava este serviço era apenas no cilindro do motor mas a coisa se estendeu e me mostraram umas engrenagens completamente quebradas, isso mesmo, quebrada. Fiquei com pena daquele motor tão surrado. Sei que trocaram umas três engrenagens, corrente de comando, platinado e por ai vai. Bem, dessa vez a moto estaria "zero bala" e estava. Rodei dois quarteirões e notei um super barulho no motor. A moto parou não vi nada aparente e, claro, a empurrei até a oficina. Não funcionava nada: pedal de partida travado, câmbio travado. O mecânico abriu o motor e para minha surpresa as engrenagens novas estavam quebradas. Como pôde acontecer isso? Numa minuciosa inspeção ficou constatado limalha no cárter e outras e outras maiores e logo depois pedaços de ferro.

  1. Diagnóstico: o sujeito, pois isso era que ele era, um sujeito, esqueceu ao fechar o motor após a retifica e todo o aparato mecânico, porcas e parafusos dentro do motor. Empenou tudo e todo o dinheiro que gastei foi em vão.   Deixei a moto na oficina e tinha que voltar a Brasília, a aeronáutica não perdoa, pune se chegar atrasado.  Fiquei alguns meses sem aparecer em Goiânia, decidido estava que assim que fosse possível iria atear fogo na CB 125 e jogaria os ferros re torcidos numa vala comum de tanta raiva que fiquei.  O tal do aprendiz de mecânico sumiu da oficina, iria socá-lo. Vendi a moto como sucata e foi meu maior prejuízo. Não me dei por vencido e com o meu salário, na época ganhávamos razoavelmente bem, comprei uma CG 125 78 que até hoje tenho saudade dela. Foi minha companheira de viagem por muitos anos.


Cândido,Zoca e Xavier e nossas CG 125

Essa foi minha iniciação no mundo das duas rodas com um problema mas a vontade era tanta e eu gostava tanto que esse desafio, hoje, faz parte do meu dia a dia. Toda moto tem que ser única! Que seja uma 125 mas a vontade é a de que ela seja exclusiva mesmo com um simples adesivo do time preferido (o Goiás). Isso é um prazer uma emoção em saber que a minha é diferente daquele amigo do motoclube. A emoção de apronta-la para, quando chegar a noite, ir ao encontro e mostrar a novidade e receber elogios dos colegas que querem saber onde ele fez isto ou aquilo, e o biker prontamente dá as dicas e até os leva lá. É emoção pura.Precisamos ser mais solidários. A comunidade motociclistica procura fazer um congraçamento não só com os que curtem duas rodas mas com a comunidade levando emoção, divertimento e renda. Prova disto são os encontros que acontecem pelo Brasil afora. Isso trás motivos fortes para que cada vez mais haja encontros e a população não veja em nós motociclistas uma ameaça à ordem. Esta a sensação que vejo, a proximidade e ajuda mútua. Para mim é assim que tem que funcionar: todos gostando de todos.

Vi um documentário onde a protagonista foi uma rua famosa na cidade de Sydnei, Austrália. Um cidadão conhecido como "Animal" faz encontros de motos. Sabe, aqueles caras tipo Kamikazes ou mesmo Abutres, pois a trupe do animal é mais ou menos assim. Perguntado o porquê da sua vida de motociclista ele não disse mas depois mostrou: - Veja essas pessoas famintas (apontando para um grupo de desabrigados), nós, quase todos dias damos comida para estas pessoas e a chamada sociedade nos taxam de desordeiros e pregam uma sociedade justa, agora, onde esta justiça que apenas eles dizem e ficam por detrás das suas escrivaninhas. Que venham ver nosso trabalho antes de dizer que somos desordeiros e nos tirar o direito de matar a fome desse povo. Que venham eles aqui fazer isso e não se escondam atrás de falácias. Sua crítica foi contra muitas pessoas que não fazem nada para os outros não tem aquele sentimento solidário e apenas escrevem leis e não as cumprem, ele, por outro lado, juntamente com os motociclistas amainam a fome dos necessitados. Trabalho bonito do "Animal".

 
Banner